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CONHEÇA HUNTER THOMPSON, O PAI DO JORNALISMO GONZO

Hunter S. Thompson

A série “Pais da Comunicação” é uma alusão ao dia dos pais. Uma homenagem aos principais mentores dessa ciência social aplicada. Dentre as personalidades lembradas estão: Philip Kotler, Raymond Rubicam, David Ogilvy, Hunter S. Thompson, William Stead, Edward Louis Bernays e Ivy Lee.

Hunter S. Thompson (1937-2005) nasceu em Kentucky, nos Estados Unidos. Celebrizou-se como criador do gonzo jornalismo, estilo de escrita subjetivo e imersivo no qual não há fronteiras entre o escritor e o relato.

Filho de uma família problemática, foi preso por roubo aos 15 anos, e parte da pena foi cumprida com seu alistamento na Força Aérea, onde começou a trabalhar como jornalista no jornal da base onde servia. Após ser dispensado, entrou na Universidade de Columbia, em Nova York, onde teve aulas de escrita de contos e levava um estilo de vida inspirado no Movimento Beat.

Enquanto estudava, conseguiu um emprego de copiador na revista Time, de onde foi despedido por insubordinação. Depois trabalhou em um jornal do interior do estado de Nova York, e também foi despedido em pouco tempo.

Escalado para cobrir a tradicional corrida de cavalos que acontece há mais de cem anos na sua cidade natal de Louisville, Thompson se afundou em um torpor alcoólico de quatro dias junto com o artista Ralph Steadman, que a partir de então ilustraria a maioria de seus artigos.

Ao final da aventura, Thompson não sabia quem tinha ganho a corrida, mas produziu um artigo altamente ácido e crítico sobre a sociedade do sul dos Estados Unidos, repleto de digressões, e interferência do autor no curso dos acontecimentos, botando por terra a objetividade jornalística e a distinção entre autor e sujeito da narrativa. Nenhum jornalista tinha ido tão longe.

Hunter S. Thompson

Thompson então foi contratado pela revista Rolling Stone, a maior porta-voz da contracultura nos Estados Unidos. Seu artigo de estreia foi sobre sua campanha para se eleger xerife da cidade de Aspen, no Colorado, famosa pelas pistas de esqui e frequentada pelos ricos e famosos. Ele concorreu pelo partido “Freak Party” e entre suas propostas estava a descriminalização do uso de drogas na cidade e a transformação de todas as ruas da cidade em ciclovias. Ele perdeu a eleição por poucos votos.

Em 1971 ele publica uma série de artigos na Rolling Stone que viria a se tornar seu livro mais famoso: Medo e Delírio em Las Vegas: Uma Jornada Selvagem ao Coração do Sonho Americano. Tratava-se de uma narrativa em primeira pessoa de seu alter ego, Raoul Duke, que viaja até a famosa cidade do jogo para cobrir uma corrida de motocross e uma convenção de promotores públicos sobre drogas, em companhia do bizarro advogado samoano Dr. Gonzo (inspirado no advogado mexicano Oscar Zeta Acosta). O resultado foi uma busca esotérica do Sonho Americano, e o livro, também ilustrado por Ralph Steadman, se tornou o maior sucesso de Thompson.

JORNALISMO GONZO

É considerado gonzo o estilo narrativo, cinematográfico ou de qualquer tipo de produção midiática em que o narrador principal torna-se personagem da obra, modificando-a de acordo com seu ponto de vista. Nesse estilo, a ação do narrador e sua relação com o ambiente são tão importantes quanto o factual.

O jornalismo gonzo tem seu maior ícone na figura do jornalista Hunter S. Thompson, que escreveu clássicos do estilo como Fear and Loathing on the Campaign Trail ’72, Medo e Delírio em Las Vegas e Rum – Diário de um Jornalista Bêbado.

Ator Jhonny Depp interpretou Thompson no filme Medo e Delírio em Las Vegas

A origem do termo gonzo tem diversas versões, uma delas é de que a palavra é uma gíria da Irlanda usada para designar o último homem que acaba em pé em uma bebedeira. O jornalista que batizou este estilo foi Bill Cardoso, que utilizou a “gonzo” em referência a um texto de Hunter Thompson.

Há uma discussão acadêmica em torno do gonzo que coloca em discussão o seu valor para o jornalismo. Para muitos, o estilo é não é objetivo, parcial demais e ignora todas as regras sérias do jornalismo. Apesar disso, o estilo tem seguidores até hoje e muitos trabalhos de conclusão de curso são feitos seguindo esta linha. Entre outros aspectos, o gonzo é a porta de entrada de jovens estudantes para o jornalismo investigativo.

Fonte: LPM Editores e Info Escola

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